ATENDIMENTO (11) 26261594

A Década de Transição da Hotelaria e do Turismo Brasileiro

Postado em Urbanismo ,     Escrito por Eng. Civil Caio Sergio Calfat Jacob    em público maio 27, 2015

Por Caio Calfat

A Revista ConstruFlats & Hotéis – antiga denominação da Revista Hotéis – nascia em meio a este início de grandes mudanças e esteve sempre presente, precisa e atuante nos principais acontecimentos do setor, sempre com muita qualidade, equilíbrio e imparcialidade.

O Ministério do Turismo era criado, a Embratur passava a cuidar somente da promoção do país no exterior, o Plano Aquarela era criado e colocado em prática, os estados do Nordeste realizavam seu planejamento turístico e construíam sua estrutura turística com recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo, o Prodetur; o Brasil começava a despontar…

Em meio a este panorama, com os antigos problemas de poucas alternativas de financiamento para a construção de hotéis, a segunda geração de flats ocorria em muitas cidades importantes do país, quadruplicando a oferta hoteleira de São Paulo (SP), por exemplo, e provocando a seleção natural nos produtos hoteleiros destas cidades, com a entrada de novas redes hoteleiras internacionais e a o aprimoramento gerencial das administradoras nacionais. Assim, esta foi também a década de transição para o setor hoteleiro brasileiro, que evoluía de um parque hoteleiro em sua maioria formado por pequenos hotéis e pousadas familiares e amadores, para um setor em início de profissionalização, tanto em projetos quanto em serviços e modelos de gestão inovadores.

Nestes dez anos, novas vertentes do turismo surgiam ou foram aprimoradas, como o de eventos – colocando o país entre os mais importantes promotores de feiras, congressos e convenções do mundo –; o de ecologia e esportes, como o golfe, a equitação, o surfe, o náutico e os radicais, consagrando vários destinos brasileiros como Bonito (MS), as Chapadas, no Paraná Foz do Iguaçu (redescoberto), Socorro e Brotas como destinos paulistas de turismo de aventura e esportes radicais, as serras mineiras, o cerrado, as regiões em torno de nossos maiores rios, a serra gaúcha, represas, lagos e lagoas, cavernas, montanhas, cachoeiras; os turismos cultural, gastronômico, religioso, etc., em destinos de Norte a Sul.

De outro lado, de 2003 a 2008, na medida do crescimento do turismo de lazer, aumentava gradativamente o movimento do turismo doméstico e o número de estrangeiros – que fugiam do frio de suas terras para o calor de nossas praias – e, contando com o câmbio monetário a favor, planejaram inúmeros resorts e pousadas de lazer em praias, campos e montanhas por todo o país; destinos eram descobertos, como Itacaré (BA), Trancoso (BA), Lençóis Maranhenses (MA), Pipa (RN), Canoa Quebrada (CE), Touros e São Miguel do Gostoso (RN), Ponta dos Ganchos (SC), Aquiraz (CE), Cunha (SP), Guarajuba (BA), São Miguel dos Milagres (AL), várias praias do litoral norte paulista; outros eram redescobertos, como Praia do Forte (BA), Campos do Jordão (SP), Búzios (RJ), Angra dos Reis (RJ), Porto de Galinhas (PE), Morro de São Paulo (BA), Maragogi (AL), Cumbuco (CE), Barra de São Miguel (AL), etc. Foi a época dos masterplans de gigantescos resorts, planejados por poderosos grupos internacionais, contemplando hotéis com imobiliário-turístico, campos de golfe, portos e marinas, shoppings centers, centros de eventos, verdadeiras cidades dotadas de variados equipamentos de esportes, entretenimento e lazer, inseridos em praias do Nordeste para serem vendidos aos europeus, especialmente os da Península Ibérica, da Escandinávia e do Reino Unido.

Neste período, como que para testar nossa precária estrutura turística, ocorreu a crise da Varig e dos controladores de voos, provocando imensos atrasos nos aeroportos do país inteiro, durante quase um ano, fato responsável pela interrupção no crescimento do número de turistas estrangeiros no país, que tinha como objetivo – pelo Plano Aquarela – receber cerca de dez milhões de visitantes por ano em 2010 e que, devido à precariedade de nossa estrutura aeroportuária e o câmbio ora desfavorável, está estacionado nos seis milhões há um bom tempo.

No momento em que tudo apontava para uma super-oferta destes monumentais complexos de lazer, a crise econômica mundial, deflagrada no final de 2008, mudou este panorama. Os países europeus foram os que mais sentiram o golpe, o que alterou radicalmente o planejamento destes grandes resorts: vários estão “na gaveta, esperando dias melhores”, outros, mais próximos às capitais, alteraram o perfil destes empreendimentos, redirecionando-os aos brasileiros que moram perto e que ascendem economicamente, devido à estabilidade e crescimento do País. E estão tendo sucesso.

Ainda neste período, os cruzeiros, através dos gigantescos transatlânticos, encontraram seu espaço por toda a costa (sem trocadilho) brasileira nos quatro meses de alta temporada, oferecendo diversas atividades, como free shop e cassino, entre outras diferenciadas, provocando um desgaste intenso com os resorts, que, por já viverem em delicado equilíbrio devido à intensa sazonalidade, foram obrigados a dividir seus hóspedes com os navios, em condições de desigualdade, tanto em atrações, quanto em tarifas e condições de pagamento. Esta situação está estabelecida e o número de cruzeiros cresce a cada ano.

O Brasil não sofreu os efeitos da crise econômica mundial, pelo contrário, seguiu seu crescimento, criando um novo consumidor: a Classe D, além da natural ascensão de todos os brasileiros.

O turismo interno cresce a níveis asiáticos, o que induz às nossas principais operadoras turísticas a se aprimorarem e a se estruturarem para este novo universo de consumidores. E estas empresas, destacando-se a CVC, têm atendido a estas exigências com excelência. O turismo e a hotelaria no Rio de Janeiro (RJ) – nosso principal destino turístico –, depois de medíocre desempenho na década de 1990 – fruto de más administrações públicas – viveu um crescimento excepcional nos anos 2000 e permanece com ótima performance, em direção à consagração nos eventos esportivos que sediará.

A conquista do Brasil para sediar os dois maiores eventos esportivos do planeta, a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, também foram as novidades deste período. As doze cidades-sede escolhidas para o torneio de futebol desenvolvem seus projetos de mobilidade urbana e estádios e os hotéis se multiplicam pelo país, tanto os projetos de retrofit, quanto em construção de novos empreendimentos, procurando atender, em quantidade e qualidade, às exigências da FIFA – Federação Internacional de Futebol e do COI – Comitê Olímpico Internacional. Em algumas das sedes, como Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF),  por exemplo, poderá haver super-oferta de hospedagem, em outras, como São Paulo, os preços dos terrenos inibem novos projetos hoteleiros, porém já há um parque hoteleiro pronto para a Copa, mas insuficiente para a demanda atual.

Quanto ao turismo de negócios e eventos, como a economia brasileira cresce exponencialmente e os principais investidores mundiais apostam no crescimento do País, o parque hoteleiro do país passa por um processo de crescimento e profissionalização, tanto em renovação e modernização dos empreendimentos bem localizados e com bons projetos, como em construção de novos estabelecimentos. Os hotéis econômicos são planejados para centenas de cidades com atividade econômica forte, os de padrão midscale em dezenas de municípios de médio e grande portes de todos os estados brasileiros e os upscale, assim como os hotéis e resorts-convenções, em endereços nobres dentro e no entorno das principais capitais. Com as dificuldades de obtenção de financiamentos e o mercado favorável, começa a ocorrer a terceira geração dos flats, agora denominados de condo-hotéis (para investidores pulverizados, funcionando exclusivamente como hotéis) e apart-hotéis (para moradores, oferecendo-se serviços hoteleiros).

E, finalmente, a nosso ver, a década 2011–2020 será a do crescimento, a da profissionalização, a da evolução da hotelaria e do turismo brasileiro – e a revista Hotéis certamente registrará estes acontecimentos com a habitual competência. É possível prever que o turista a negócios e em eventos viajará mais assiduamente, que teremos o turista europeu de volta assim que a crise econômica for superada, que haverá um desenvolvimento acentuado nos projetos dos equipamentos hoteleiros, acompanhando a velocidade da evolução tecnológica, que outras grandes redes hoteleiras internacionais entrarão no país e atuarão em nossos principais destinos e as redes nacionais que se impuserem a esta concorrência terão amplo destaque, que inéditos destinos turísticos despontarão, que novos resorts e pousadas de lazer serão construídos pelo país.

E, em um nível mais alto de otimismo, ouso sonhar que teremos, afinal, novos aeroportos e que os existentes atenderão à demanda de forma satisfatória, que a capacitação de nossa mão-de-obra acompanhará as necessidades do setor, que as estradas rodoviárias atenderão à necessidade dos turistas – especialmente os que saem das capitais nos finais de semana prolongados – e que, além do trem-bala, o transporte ferroviário terá um novo desenvolvimento no País e que as hidrovias – com tantos rios lagos e represas existentes no país – abrigarão transportes de carga e de passageiros e serão exploradas de forma consistente por todo o País.

sobre o autor
Eng. Civil Caio Sergio Calfat Jacob

Eng. Civil, Consultor imobiliário e hoteleiro. Sócio-diretor da Caio Calfat Real Estate Consulting (www.caiocalfat.com). Conselheiro e ex-presidente da LARES - Latin American Real Estate Society (www.lares.org.br). Coord. do Núcleo de Empreend. Hoteleiros e Imobiliário-Turísticos do Secovi-SP (www.secovisp.com.br). Prof. de Análise de Empreend. Hoteleiros do MBA Real Estate FUPAM e da pós-graduação em Gerenciamento de Empreend. na Construção Civil do Mackenzie. Coord. e Prof. do curso de Planej. e Desenv. de Empreend. Hoteleiros promovido pela AEA Cursos (www.aeacursos.com.br).

Termos e Condições
Contrato de Prestação de Serviços pela AEA Educação Continuada Data-Limite 1. As inscrições para os cursos se encerram 7 dias antes do início das aulas. Excepcionalmente, desde que existam vagas disponíveis, serão aceitas inscrições após a data limite. 2. A data-limite não garante a disponibilidade de vagas. Por isso, recomendamos a efetivação da inscrição/pagamento com antecedência.   Política de Descontos da AEA Educação Continuada 3. A AEA Educação Continuada oferece descontos às seguintes categorias, comprovada a condição mediante apresentação do documento competente, conforme o caso: (i) Grupos de profissionais (3 ou mais inscritos): 10% (ii) Estudantes de graduação e professores: 15%, não sendo aplicado à pós-graduação. (iii) Desconto para pacote de cursos: 10% para inscrições em 2(dois) cursos; 15% para inscrições em 3(três) cursos; 20% para inscrições em 4(quatro) ou mais cursos; 4. Os descontos mencionados nos itens (i, ii, iii) não são cumulativos e se aplicam ao pagamento à vista ou parcelados. Em todas as situações, prevalece o maior desconto.   Desconto especial por antecipação de inscrição  5. Inscrições pagas até 45 dias antes da data de início do curso receberão desconto de 10%, cumulativo em relação ao eventual desconto aplicado com base na “Política de Descontos da Academia” (itens 3 e 4 acima).   Reagendamentos 6. Os cursos da AEA Educação Continuada são ministrados a turmas abertas, formadas por adesão dos interessados. Por isso, a realização do curso depende da inscrição de um número mínimo de participantes, Na hipótese de quorum insuficiente, impossibilidade de comparecimento do professor ou outros imprevistos, a AEA Educação Continuada reagendará o curso, para a data mais próxima possível, a fim de preservar o melhor interesse de todos. 7. Excepcionalmente, a AEA Educação Continuada poderá substituir o professor inicialmente contratado por outro profissional, igualmente qualificado, a fim de preservar o melhor interesse de todos e contornar imprevistos ou conflitos de agenda. 8. Em caso de reagendamento, a AEA Educação Continuada avisará todos os inscritos, por e-mail, informando a nova data, razão pela qual o participante deve manter seu cadastro atualizado, informando o e-mail de contato que acesse com mais freqüência. O inscrito será automaticamente realocado na nova turma do curso de interesse, podendo solicitar a transferência da inscrição para outro curso ou a devolução dos valores pagos. Por isso, recomendamos atenção aos comunicados eletrônicos da AEA Educação Continuada no período que antecede a data prevista para a realização do curso. Especialmente em caso de viagens, antes de se deslocar, solicitamos entrar em contato com a AEA Educação Continuada, a fim de confirmar as informações sobre data e local do curso, evitando transtornos.   Cancelamentos 9. As inscrições poderão ser canceladas, com a devolução dos valores pagos, a pedido do interessado até 10 dias corridos antes do início do curso. 10. No caso de inscrições canceladas, a pedido do interessado, com prazo inferior a 10 dias corridos antes do início do curso, não haverá devolução do valor pago, e o inscrito poderá transferir integralmente o seu crédito para outra turma interesse, pagando eventual diferença, se houver. No caso de não comparecimento no curso (no show), ou de comunicação de não comparecimento, e prazo inferior a 2 dias antes da data de início do curso, por qualquer motivo, 80% do valor total da inscrição (e não da parcela paga, em caso de pagamento parcelado) poderá ser transferido para outro curso oferecido pela AEA Educação Continuada, mas não haverá devolução de valores pagos. Os 20% restantes serão retidos como multa tendo em vista os custos antecipadamente despendidos para possibilitar a participação do inscrito. 11. Destacamos que em caso de inobservância dos comunicados da AEA Educação Continuada (especialmente nos termos do item 8 acima) não haverá reembolso de nenhuma espécie de despesas, incluindo, mas não se limitando a, passagem aérea e rodoviária, combustível, pedágio, locação de veículos, hospedagem, alimentação e outras.   Devolução de valores 12. Nas hipóteses de devolução de valores, o depósito do valor será realizado em 10 dias úteis, contados do envio do comprovante de pagamento e dos dados bancários do favorecido (agência, conta bancária, nome do titular da conta e CPF/CNPJ). 13. Será devolvido apenas o valor principal das parcelas pagas, deduzidas as despesas havidas com a operadora do cartão de crédito, emissão ou reemissão de boletos e tarifas bancárias. 14. Caso seja solicitada a reemissão de boletos, o valor das tarifas bancárias serão incluídos no valor do novo título.   Mora e inadimplemento 15. Os boletos emitidos para os cursos realizados, com data de pagamento posterior ao encerramento do evento, e não pagos até a data do seu vencimento, estarão sujeitos a multa de 2%, juros e correção monetária de 5% ao mês, e após 3 (três) dias serão automaticamente encaminhados ao cartório de protesto de título. 16. O aluno que, por qualquer motivo, cancelar a sua inscrição fora do prazo mencionado no item 9 ou deixar de comparecer ao curso, não se sujeita ao acima mencionado, mas permanece adstrito ao sistema de transferência de crédito descrito nos itens 8 e 10. 17. Caso a AEA Educação Continuada tenha que realizar a cobrança de quaisquer valores devidos em decorrência deste Contrato, a mesma poderá cobrar o reembolso de todas as despesas incorridas por conta de cobrança, judicial ou extrajudicial, de tais valores, incluindo custos de postagem de carta de cobrança, cobrança telefônica e despesas cartorárias.

AEA Cursos Ltda. São Paulo,