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A opinião de três especialistas sobre gestão da energia e eficiência energética

Postado em Sustentabilidade ,     em público agosto 30, 2019

Marcel Haratz, diretor da Comerc ESCO; Leonardo Ribeiro, gerente comercial de serviços de energia da ENGIE Brasil; e Carlos Schoeps, diretor da Replace Consultoria, falam sobre sustentabilidade, economia de recursos e capacitação do profissional de facilities.

Diversos pontos estão em questão quando falamos em gestão da energia e eficiência energética, como gestão de recursos cada vez mais escassos, certificações como a LEED (Green Building Council), redução de custos, a importância da capacitação dos profissionais de facilities, entre outros.

Para debater esse tema, a equipe de reportagem da AEA Educação Continuada entrevistou três especialistas: Marcel Haratz, diretor da Comerc ESCO; Leonardo Ribeiro, gerente comercial de serviços de energia da ENGIE Brasil; e Carlos Schoeps, diretor da Replace Consultoria. Confira abaixo:

AEA: Um condomínio como o CENESP (Zona Sul de SP), por exemplo, tem consumo igual ou maior ao de muitos municípios. Na sua opinião, qual a importância da gestão da energia e eficiência energética?

Marcel Haratz: Considerando que, em média, o Brasil desperdiça ½ Itaipu por ano, ou seja, 50% de toda energia produzida pela maior usina hidrelétrica do mundo acaba indo para o ralo em função da ineficiência, podemos cravar que o tema é fundamental para um Brasil que precisa ganhar competitividade. Isso é impactado, especialmente, pelo fato de nosso parque industrial ser muito ineficiente. Segundo uma pesquisa da ABIMAQ, a idade média do maquinário brasileiro é de 17 anos, mais que o dobro dos EUA (7 anos) e triplo da Alemanha (5 anos). A modificação desse cenário é parte importante do compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris sobre o clima (COP 23), que previa ampliação da nossa eficiência energética em até 10% até 2030.

Marcel Haratz
COMERC Esco

Leonardo Ribeiro: Tanto empresas, como cidades, estão atentas às novas tecnologias de mercado que estão permitindo digitalizar processos, monitorar utilities e, assim, ter dados para tomada de decisões para economia, tendo a possibilidade de fazer investimentos ou optar pelo modelo de financiamento, sendo este pago com a economia gerada.

Leonardo Ribeiro
ENGIE Brasil

Carlos Schoeps: Um condomínio como o CENESP tem consumo de energia maior que muitos municípios brasileiros. Ações de eficiência energética e gestão de energia são importantes para minimizar o uso de insumos energéticos cada vez mais escassos na natureza. Os administradores de condomínios, hoje, devem estar atentos às mais modernas técnicas de gestão e promover o uso das tecnologias de eficiência energética.

Carlos Schoeps
Replace Consultoria

AEA: O que podemos falar sobre recursos escassos, certificações como a LEED, que atestam a sustentabilidade dos novos edifícios?

MH: Uma gestão mais eficiente de energia pode ser extremamente positiva para a sustentabilidade. Em primeiro lugar, porque, ao se utilizar melhor, minimiza-se a necessidade de gerar energia nova. Definitivamente, é o melhor dos cenários. Em segundo lugar, porque planos de eficiência energética podem (e deveriam – na minha visão) ser acompanhados de projetos envolvendo matrizes sustentáveis.

LR: Novos empreendimentos já nascem com esta certificação já que o mercado adotou como regra e diferencial competitivo levar suas operações para prédios com o selo LEED. O desafio de empreendimentos já estabelecidos é buscar investimentos para um retrofit e se adequar ao novo modelo de mercado.

CS: As certificações de sustentabilidade, como o LEED, tem por objetivo promover e fomentar práticas de construções sustentáveis através da implantação de medidas práticas palpáveis e mensuráveis, criando sistemas de classificação e padrões para o desenvolvimento de edifícios sustentáveis. Ao longo do tempo, evoluiu para padrões de construção abrangentes e inter-relacionados, que abordam todos os aspectos do processo construtivo e operacional. Também tem por objetivo estimular a concorrência verde, sensibilizar os consumidores para os benefícios da construção verde e propagar a visão sobre o desempenho de um edifício ao longo do ciclo de sua vida útil.

AEA: E, com isso, é importante falar sobre as áreas e os gestores de facilities, como responsáveis por gerar economias para as organizações…

MH: Na minha visão, é fundamental falar sobre isso, até porque o mercado ainda conhece pouco sobre os benefícios que podemos gerar por meio de uma melhor gestão da energia. No formato dos serviços que oferecemos na Comerc ESCO, que é o braço de eficiência energética do grupo Comerc, estamos falando de um retorno de investimento a partir de 12 meses, com a vantagem de que o cliente não tem qualquer investimento inicial.

LR: Estes gestores estão agora assumindo novas e importantes funções que vão além de cuidar somente da boa execução dos serviços, e ampliando o campo de atuação focado na eficiência dos recursos. A economia de custos está no centro do raio de ações e precisarão ser priorizadas. Soluções que integram automação, monitoramento e operação dos sistemas de iluminação, controle de acesso, ar condicionado, geradores, entre outros, serão rotinas na vida destes profissionais.

CS: Atualmente, há um conjunto de soluções técnicas, gerenciais e de mercado que permitem desenvolver planos para redução de custos com a gestão dos insumos energéticos. Diversas soluções podem ser utilizadas: equipamentos de maior eficiência; soluções para geração de energia, como as placas fotovoltaicas e cogeração; contratação de energia no mercado livre; implantação de projetos de geração distribuída.

Com esse conjunto de soluções há possibilidades de alcançar expressivas reduções de despesas com energia. Em projeto desenvolvido pela Replace, a contratação de energia no mercado livre proporcionou redução de despesas superior a 30%. Na implantação de solução com geração fotovoltaica, a economia supera 20%. Ambas soluções foram implantadas com investimentos mínimos pelos condomínios envolvidos. A substituição de iluminação por lâmpadas LED resultou em redução do consumo da ordem de 15%.

AEA: Como o profissional de facilities pode se aperfeiçoar nestes quesitos?

MH: Acredito que, por se tratar de um momento novo no mercado de eficiência energética, é importante que o profissional comece a se familiarizar com esse tipo de projeto ainda no período de formação. Quanto mais incentivarmos esse tipo de projeto, mais rapidamente mudaremos esse cenário de perdas e desperdício, que infelizmente ainda rege o Brasil. O fator de mudança ainda está muito nas mãos dos altos executivos, então quanto mais pontos de contato tivermos sinalizando os benefícios da eficiência energética, melhor.

LR: Se capacitar será a chave para este profissional entregar bons resultados. Cursos de aperfeiçoamento e participação em eventos permitem adquirir conhecimento e experiências. Sem dúvida, investimentos na educação pavimentará o caminho para novos saltos da carreira.

CS: A gestão de energia, atualmente, apresenta um conjunto expressivo de soluções técnicas e de mercado, assim como também a gestão diária dos recursos energéticos evolui rapidamente, com novas técnicas de administração e soluções de softwares. Esses conhecimentos são dispersos e divulgados por diversos meios pelos fabricantes, desenvolvedores de softwares e consultores especializados. Os cursos da AEA têm papel importante nesse esforço para difundir as melhores práticas e tecnologias para gestão de facilities e aplicação das melhores soluções e práticas de mercado.


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