ATENDIMENTO(11) 26261594

BIM, Uma Mudança de Paradigma no Processo de Projeto

Postado em Real Estate ,     Escrito por Prof. M.Eng. Leonardo Manzione    em público maio 27, 2015

O BIM (Building Information Modelling) é a ferramenta que promoverá essa transformação, pois requer atitudes colaborativas e multidisciplinares, em que o projeto passa a ser desenvolvido em equipe, de maneira simultânea. O BIM permite que os projetistas trabalhem em um modelo central tridimensional e paramétrico. Essa forma é bem diferente da convencional, em 2D.

Leonardo Manzione, engenheiro especialista em BIM, doutorando pela Escola Politécnica da USP (Departamento de Construção Civil), e diretor executivo da Coordenar, empresa de consultoria empresarial, gestão e coordenação de projetos, fala como isso irá acontecer no Brasil. Para ele, o BIM deverá mudar o modo atual de trabalhar, gerando um modelo colaborativo e evitando a fragmentação do processo de projeto que resulta em perda de produtividade.

AEA – Por que implantar o BIM nas empresas de engenharia e arquitetura?

Leonardo Manzione – O BIM deverá aumentar a produtividade das empresas de projeto, já que atualmente a multiplicidade de agentes e a fragmentação do processo de projeto resultam em elevadas perdas. Além disso, a ausência de metodologias estruturadas de gestão, o desenvolvimento dissociado entre métodos de gestão e ferramentas de TI, além da natureza cíclica do projeto, interativo e baseado em informações, dificulta a estruturação e o entendimento do processo de trabalho. No Brasil, um dos erros é implantar o BIM com o mesmo processo de projeto convencional, arcaico e ineficiente.

AEA – Quais são as principais deficiências no sistema de gestão de projeto?

Leonardo – Além de sofrer de excesso de centralização, há muita Informalidade no processo de projeto e um baixo intercâmbio entre a equipe de profissionais. O controle do processo é reativo e falho no curto prazo, e geralmente carece de planejamento integrado. Hoje, os modelos de processo de projeto são seqüenciais e baseados na entrega de grandes pacotes de informação, e a gestão fica focada apenas no controle de contratos. Há ainda um mau uso da TI, com sistemas geram sobrecarga de informações desestruturadas e extranets reproduzem os modelos manuais de trabalho, não automatizam rotinas, não auxiliam no planejamento e na estruturação do processo. Ferramentas atuais são de workgroup e não de workflow e é  necessário evoluir de cooperação para colaboração e rotinas de verificação de projeto lentas e sem uso da TI, entre outras.

AEA – Como é o modelo colaborativo de gestão do processo de projeto com o uso do BIM?

Leonardo – Em minha tese de doutorado estou tratando desse modelo de gestão e colaboração. Isso pressupõe que sejam definidos indicadores para o ambiente BIM e o seu método de cálculo, além de interface para leitura automática desses indicadores no Bimserver. Com isso, também é necessário planejar o processo do projeto com o uso da BPMN, DSM e IDM e definir um projeto piloto para ser acompanhado. Será preciso fazer um levantamento d as trocas de informação necessárias e seu conteúdo, além de acompanhar os resultados a partir da leitura dos índices, e do próprio modelo, e comparar com o que foi planejado, identificando os desvios. É fundamental ainda elaborar um estudo de caso da situação inicial das empresas envolvidas e do grau de implementação do BIM em seus processos, levantar os resultados obtidos e extrair as conclusões.

AEA – Tudo isso colabora para a implementação de uma metodologia de gestão?

Leonardo – Sim, pois é preciso estabelecer quais informações deverão ser trocadas entre os diferentes agentes (exchange requirements). Sabemos que o projeto arquitetônico necessita de informações da estrutura, além dos projetos de instalações, vedação e assim por diante. Se isso não ficar definido desde o início, corre-se o risco acontecerem erros de projeto. Ou seja, o potencial do BIM tem como base o trabalho colaborativo.

AEA – O BIM deverá mudar a forma de se trabalhar no projeto de um empreendimento?

Leonardo – Sim, pois processo de trabalho e gestão não mais será composto das fases de estudo

preliminar, anteprojeto, pré-executivo, executivo e detalhamento. Ficarão apenas três fases: viabilidade, concepção do modelo e desenvolvimento do projeto final. Como o BIM é uma plataforma que exige troca de informação simultânea, os projetistas terão de compartilhar todos os dados, pois precisarão buscar a melhor solução de projeto, trazendo resultados mais elaborados para o empreendimento como um todo. Hoje, cada um faz o seu projeto, sem enxergar o todo. O BIM faz com que todos trabalhem com um objetivo único. Assim, também os modelos de contrato serão diferentes, a fim de refletir essa metodologia de trabalho compartilhado.

sobre o autor
Prof. M.Eng. Leonardo Manzione
Mestre e Doutorando em Engenharia Civil pela Poli-USP. Suas pesquisas se concentram na área da Gestão do Processo de Projetos. Professor do curso de MBA em Gerenciamento de Empreendimentos na Universidade Mackenzie. Consultor de empresas nas áreas de Gerenciamento de Obras e Coordenação de Projetos. Tem 30 anos de experiência na Construção Civil com destaque nas áreas técnicas de Planejamento, Coordenação de Projetos, Gerenciamento e Suprimentos tendo trabalhado em conceituadas empresas ocupando diversos cargos de Direção e Gerência Técnica