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Cidades: Centros de Desenvolvimento e de Geração de Poluição

Postado em Sustentabilidade ,     em público junho 9, 2015

O aumento da frota de automóveis na cidade de São Paulo tem contribuído para piorar aspectos de mobilidade urbana, qualidade do ar e qualidade de vida. Em contrapartida, ao mesmo tempo em que as cidades são centros de desenvolvimento, onde há aumento da expectativa de vida e de geração de renda, possuem grandes focos de geração de lixo, poluição e de problemas de todos os tipos.

Somente para se ter uma ideia, hoje, a velocidade média do tráfego paulistano é de 10 km por hora, e doenças relacionadas à qualidade do ar surgem cada vez mais, como o aumento de mortes por pneumonia e doenças respiratórias que têm crescido exponencialmente, mais que câncer e AIDS.

Além disso, o excesso de veículos aumenta a demanda por pavimentação, contribuindo para a impermeabilização do solo, facilitando a ocorrência de enchentes. O calor retido por essas superfícies, somado ao calor gerado pelos veículos, aumentam a temperatura do ambiente formando ilhas de calor, o que interfere no microclima da cidade.

Apesar de ser a cidade mais rica do país, no âmbito do urbanismo e do planejamento urbano São Paulo está entre as mais carentes, com a necessidade latente de uma reforma urbana ampla. Os governos e prefeituras, responsáveis pelo planejamento urbano e espaços públicos, não conseguem dar conta dessa expansão exponencial da cidade. Daí a importância das ações de intervenção de organizações da sociedade civil, fundações e empresas.

Grandes metrópoles

Segundo o relatório “O estado do mundo”, divulgado em 2010 pela ONU, atualmente cerca de um sexto da população mundial é responsável por quase 80% do que é consumido mundialmente em termos de bens e serviços. E 5 bilhões de pessoas ainda consomem um décimo do que compra um europeu médio. Hoje já consumimos 30% acima da capacidade de reposição da Terra. Diariamente retiramos do planeta, em termos de recursos naturais, o equivalente a 112 prédios do Empire State, que tem 105 andares. É impossível continuarmos a agir da mesma maneira sem que tenhamos perdas.

Diante dessa conjuntura, só existe uma saída para o mundo: o desenvolvimento nas três esferas propostas pela sustentabilidade: econômica, social e ambiental. Aliar o desenvolvimento sustentável de maneira a proporcionar condições de igualdade e inclusão social das classes menos privilegiadas é o grande desafio das nações.

Em termos de sustentabilidade, ou a sociedade muda os padrões individuais de consumo e devastação ambiental, ou teremos problemas irreversíveis quanto à nossa saúde e a própria vida no planeta. As pessoas ao redor do mundo precisam se conscientizar de que é necessário o equilíbrio ou não vamos ter planeta.

Na Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que será realizada em 2012, a Green Economy será alvo das discussões, a fim de alcançar uma economia verde, inclusiva e de baixo carbono em busca do desenvolvimento sustentável. O Brasil deverá apresentar suas experiências nas questões relacionadas ao etanol e à Amazônia, além da biodiversidade, que hoje abastece a cadeia de produção e consumo em escala global.

O foco deverá ser colocado nos países subdesenvolvidos, uma vez que só existe uma alternativa para eles: uma economia verde que proporcione a equidade. Na conferência Rio 92 falamos sobre os limites do planeta como algo intangível. Entretanto, agora isso é um grande risco para a economia, pois a biodiversidade está relacionada de maneira intrínseca ao desenvolvimento das nações.

De acordo com o relatório intitulado “Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”, lançado pelo PNUMA, em 2011, existem grandes oportunidades para desacoplar, por exemplo, a geração de resíduos do crescimento do PIB, incluindo em seu lugar ações de recuperação e reciclagem. Isso gera no Brasil retornos de U$ 2 bilhões por ano, ao mesmo tempo em que evita a emissão de 10 milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Aqui, uma economia de reciclagem plena valeria 0,3% do PIB.

Hoje o Brasil possui uma quantidade significativa de recursos naturais, e é a partir deles que extraímos toda a base da nossa economia. Mas se eles forem retirados de maneira predatória e indiscriminada, o que vai acontecer? A economia entrará em colapso. Portanto, hoje não é possível haver desenvolvimento social e ambiental se pensarmos apenas na geração de riquezas. Assim como também não é possível pensarmos somente na preservação ambiental, sem levarmos em conta a economia. Por isso, é necessário o equilíbrio dessa equação similar ao equilíbrio da nossa vida financeira.