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Como Escolher o Sistema de Certificação de um Empreendimento

Postado em Sustentabilidade ,     Escrito por Coordenadora: Arq. MSc. Daniela Corcuera, LEED AP, Especialista AQUA, EDGE Expert & Auditor, USGBC ProReviewer e Coach    em público junho 9, 2015

A certificação tem o objetivo de identificar uma determinada qualidade de um produto, de acordo com critérios pré-estabelecidos, enviando uma mensagem bem clara ao mercado. No caso das certificações ambientais, para empreendimentos da construção civil, existem alguns sistemas em aplicação no Brasil, que diferem em diversos aspectos. A escolha do sistema mais adequado é fundamental para favorecer essa comunicação com o público-alvo.

Atualmente, existem cinco sistemas de certificação sendo aplicados no país, e este número tende a crescer. Os sistemas aqui referidos são: AQUA, LEED, BREEAM, Procel Edifica, Casa Azul e há ainda um sexto sistema, o Casa Clima (menos difundido). A estratégia para escolha do sistema depende da compreensão das características de cada um deles, já que um pode ser mais adequado do que o outro, dependendo do perfil do empreendimento e do público consumidor. Atualmente, todos esses sistemas são de caráter voluntário no Brasil, mas está prevista a obrigatoriedade do Procel Edifica para edifícios públicos e comerciais, por exemplo.

O escopo de abordagem dos sistemas pode ser amplo, ou restrito. Sistemas como Procel Edifica e Casa Clima são de escopo único, focando exclusivamente em Eficiência Energética. Já os demais sistemas utilizam critérios diversos, como Implantação, Água, Energia, Materiais e Conforto Ambiental, por exemplo.

A origem do sistema é importante porque diz muito a respeito dos valores e da “alma” do sistema. BREEAM, AQUA e Casa Clima são de origem européia, enquanto o LEED é norte-americano e Procel Edifica e Casa Azul são brasileiros. Mas mesmo estes dois últimos são fortemente inspirados em normas americanas e no próprio LEED. Os sistemas europeus têm um escopo um pouco mais amplo e detalhista, exigindo um mais no desempenho do empreendimento e do processo de certificação. Todos os sistemas europeus aqui citados nasceram de uma demanda do governo, tendo sido elaborados por técnicos e acadêmicos, visando criar parâmetros de desempenho para a sociedade.

Já o sistema norte-americano LEED foi idealizado pelo setor da construção civil, mais especificamente construtores, empreendedores e fabricantes, tendo como alvo o mercado e desenvolvido por comitês de membros do setor, incluindo projetistas , técnicos e acadêmicos. Enquanto alguns sistemas são qualitativos, como o AQUA, outros são quantitativos na análise dos seus critérios, utilizando pontuação numérica. No caso do AQUA, o desempenho dos critérios é avaliado como Bom, Superior ou Excelente.

Alguns sistemas funcionam como certificações, outros como etiquetagens ambientais, como é o caso do Procel Edifica e do Casa Clima. No caso das certificações, o empreendimento alcança a certificação se cumprir um número mínimo de requisitos e critérios. Já as etiquetagens servem para apontar faixas de desempenho dos empreendimentos, sem critérios de exclusão, por mais baixa que seja sua categoria, sendo, portanto, classificatórios.

LEED, BREEAM, e Casa Azul têm diferentes níveis de certificação, caso o empreendimento atenda a critérios mínimos. No caso do LEED, por exemplo, um empreendimento pode ser certificado, prata, ouro ou platina. Já no caso do AQUA, o empreendimento é simplesmente certificado ou não, sem a existência de níveis.

Alguns sistemas se prestam a auto-avaliação, outros exigem uma avaliação por terceira parte, como no caso de todos os sistemas aqui citados. Isto significa que haverá uma auditoria de forma independente e isenta que irá avaliar o empreendimento quanto aos critérios do sistema, concedendo-lhe ou não a certificação. No caso do LEED a auditoria é documental, não ocorrendo a vistoria física do empreendimento. O AQUA realiza, além da auditoria documental, inspeções na obra, de modo a confrontar evidências e se os critérios foram realmente cumpridos.

Praticamente todos os sistemas têm subsistemas adequados para diferentes tipologias, como habitacional, comercial, bairros, hospitais, escolas, etc, mas obviamente, alguns estão mais consolidados do que outros.

No caso do LEED, toda a documentação deve ser apresentada em língua inglesa, assim como o BREEAM. O LEED é o único destes que exige o uso do sistema de medidas imperial, todos os demais utilizam o sistema internacional.

Alguns sistemas têm melhor aceitação no mercado coorporativo, como é o caso do LEED. Outros, melhor aceitação pela sociedade e consumidor final, como AQUA e Procel Edifica. Já o Casa Azul é referência no caso de financiamentos da Caixa Econômica Federal. Mas isso não pode ser considerado uma regra, pois outros fatores devem ser avaliados.

Traçando-se o perfil do empreendimento, tipologia e uso, o público-alvo, o conhecimento do corpo técnico envolvido, o perfil do empreendedor, o tempo disponível de adequação e aprendizado, e as reservas financeiras para se investir em certificação será possível apontar quais os sistemas mais adequados, que pode ser até mais de um. A análise, caso a caso, cabe a um consultor em certificações juntamente com o empreendedor e gerenciador de projetos. É importante que a escolha seja transversal e isenta, e não apenas em função de facilidades e conhecimentos específicos.

Vale ressaltar que todos os sistemas aqui mencionados são coerentes e consistentes, a despeito de sua diversidade. Sua aplicação no setor da construção civil é salutar e benéfica para a sociedade e para o meio-ambiente.

sobre o autor
Coordenadora: Arq. MSc. Daniela Corcuera, LEED AP, Especialista AQUA, EDGE Expert & Auditor, USGBC ProReviewer e Coach
É arquiteta e mestre em Arquitetura Sustentável pela FAU-USP, capacitada em Coaching pelo Erickson Institute, aprovado pelo International Coach Federation. É consultora, atuando com certificações ambientais, materiais de construção e projetos, diretora da empresa Quanta Studio (antiga Casa Consciente). É LEED Accredited Professional, pelo USGBC (United States Green Building Council), com especialidade BD+C (Building Design and Construction), é a primeira EDGE Auditor no Brasil pelo GBCI e formada pela Fundação Vanzolini para o processo AQUA, todos sistemas de certificação de empreendimentos eco-eficientes. É Pro Reviewer do USGBC para avaliação de cursos educacionais de educação continuada. Atua como consultora e auditora do Instituto Falcão Bauer de Qualidade, no grupo do Selo Ecológico para certificação de materiais. Ministra diversos cursos de atualização e desenvolvimento profissional e pós-graduação, é docente do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Belas Artes, FAAP, SENAC, INBEC e AEA Educação Continuada, havendo capacitado mais de 2.000 alunos nos últimos 12 anos. Criadora da Etiqueta Quântica Matéria, sistema de análise e classificação ambiental de produtos para a construção civil. É membro do comitê de materiais do GBC Brasil para o desenvolvimento do LEED e Referencial Casa. E‚  Desde 2005 ministra cursos e workshops na área de gestão de negócios e serviços e gestão de pessoas.