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Falhas construtivas – Por Eng. Roberto de Carvalho Júnior

Postado em Sustentabilidade ,     em público julho 1, 2015

Um exemplo clássico e muito conhecido de falha construtiva é a Torre da cidade de Pisa, no norte da Itália. Projetada para abrigar o sino da catedral de Pisa, a torre foi iniciada em 1173. Seus três primeiros andares mal tinham acabado de ser erguidos quando foi notada uma ligeira inclinação na Torre. Ela já “nasceu” inclinada, e sua construção chegou a ser interrompida diversas vezes na ten¬tativa de resolver o problema.

Segundo o engenheiro Ercio Thomaz, pesquisador do IPT, na área de Construção Civil, patologia das constru¬ções é o “campo da ciência que procura, de forma metodizada, estudar os defeitos dos materiais, dos componentes, dos elementos ou da edificação como um todo, diagnosticando suas causas e estabelecendo seus mecanismos de evolução, formas de manifes¬tação, medidas de prevenção e recuperação”.

No ultimo domingo (18/05/2014) o programa “Fantástico” da Rede Globo de televisão apresentou uma matéria sobre a péssima qualidade das obras entregues aos clientes, particularmente, acentuadas depois da explosão da construção civil e a falta de capacitação dos trabalhadores do setor. O que mais chamou a atenção na matéria foi que quase todas as reclamações dos estão relacionadas com às instalações hidráulico-sanitárias.

Para este articulista, autor do livro “Patologias em Sistemas Prediais Hidráulico-Sanitários”, a reclamação dos entrevistados não foi nenhuma novidade, tendo em vista que, de acordo com diferentes pesquisas, as insta-lações prediais hidrossanitárias em geral lideram a ocorrência de patologias nos edifícios (estima-se que 75% das patologias da cons¬trução são decorrentes de problemas relacionados às instalações hidráulicas prediais): vazamentos, infiltrações, entupimentos, mau cheiro, retorno de espuma e outros problemas se repetem com certa frequência nas edificações habitacionais, escolares, comerciais e outras, causando insatisfações aos usuários, danos colaterais a outros elementos e componentes da construção, e prejuízos à saúde e ao bolso dos seus proprietários, sejam eles públicos ou privados. Além das patologias visíveis, existem patologias ocultas tão ou mais importantes, como a conta¬minação da água potável em reservatórios ou redes, erosões decorrentes de vazamentos, volume excessivo de água de des¬carga em vasos sanitários, torneiras e duchas com vazões acima das necessidades, isolação térmica inadequada de tubulações e/ ou má localização de aquecedores, repercutindo em demasiada demora na chegada da água quente até os pontos de consumo.

Por outro lado, nunca se deu muita importância às instalações do edifício, pois elas ficam embutidas (ocultas) sendo, portanto, muito comum a execução de obras sem os projetos complemen¬tares, como o projeto hidráulico.

Além disso, na busca por máxima economia e utilizando-se de materiais inadequados e de qualidade inferior e uma execução rica em improvisações e gambiarras em função da ausência de projeto e baixa qualificação da mão de obra, acaba-se comprometendo a qualidade final da obra.

Por essa razão, os profissionais da área têm de conhecer pro¬fundamente as causas desses problemas que aparecem durante a execução da obra ou durante o uso do edifício após a conclusão, para que possam traçar um perfeito diagnóstico e, com isso, propor as melhores soluções técnicas para esses problemas.

É importante ressaltar que o estudo das patologias frequentes em sistemas prediais hidráulico-sanitários não reside somente na atuação corretiva, mas na possibilidade da atuação preventiva, especialmente quando elas têm por causa falhas no processo de produção dos respectivos projetos de engenharia.