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Impacto de Áreas Impermeabilizadas nas Cidades e Enchentes

Postado em Sustentabilidade ,     Escrito por Álvaro Luque    em público junho 9, 2015

Ocorre que no período em que há fortes chuvas, toda a água que não penetra no solo, corre para os bueiros, o que excede a capacidade de drenagem de todo o sistema.

Com o começo do verão, época de chuvas em boa parte do território nacional, volta à discussão um problema, recorrente, que afeta grande parte da população brasileira – as constantes enchentes e alagamento de ruas, bairros e, muitas vezes, de cidades inteiras.

Transferir a responsabilidade de tais tragédias anunciadas para fatores naturais sobre os quais não possuímos pleno domínio, tais como as mudanças climáticas ou os fenômenos meteorológicos do tipo “el niño” ou “la niña”, alegando o excesso de chuvas como o maior problema, é uma atitude que ignora a realidade e que nos impede de adotar medidas concretas que poderiam amenizar, e, em muitos casos até, resolver tais calamidades.

Tendo como foco a área de atuação de arquitetos e urbanistas, é possível apontar algumas destas medidas, sendo, talvez, a mais importante dentro do cenário de construção de grandes cidades: a permeabilidade dentro das áreas urbanas. Sabemos que a impermeabilização de ruas, calçadas e passeios públicos é um dos principais problemas a serem resolvidos, pois nos momentos de fortes chuvas, toda a água que não penetra no solo, corre para os bueiros e, rapidamente, excede a capacidade de drenagem do sistema construído para tal.

Nesse cenário, é fundamental notar que existe, na natureza, um equilíbrio hídrico das águas pluviais, portanto, é necessário respeitá-lo. A intensidade das chuvas e o intervalo de tempo em que ocorrem, os tipos de solo, a morfologia do terreno e a vegetação são elementos que devem ser avaliados de forma integrada para definir a melhor estratégia da intervenção humana.

Ao construirmos nossas cidades, escolhemos locais junto a importantes cursos d’água, em áreas de florestas e campos, um hábito que marcou a história da humanidade e ainda se faz presente em muitas das áreas que, atualmente, urbanizamos. Impermeabilizamos vastas áreas e invadimos regiões alagadas, rompendo o equilíbrio natural, alterando não só a capacidade de absorção do solo, mas, também, a velocidade de escoamento das águas e as áreas passíveis de inundação.

Surge, então, a necessidade de criar alternativas realmente sustentáveis para nosso desenvolvimento, o que implica, antes de qualquer coisa, em termos um claro conceito das reais possibilidades para a construção de cidades sustentáveis.

Segundo Thomas Randall, sustentabilidade pode ser um termo que remete à poesia, ao otimismo e às boas ações, em que a energia, o CO2 e os resíduos sólidos são secundários, e segundo o qual o imensurável é, no final, tão importante como o quantificável. Mas, também pode ter um significado bastante concreto, relacionado às ações e escolhas que fazemos cotidianamente, ao longo de nossa existência.

Podemos conciliar a visão prática e o conceito teórico e, assim, afirmar que “ser sustentável” significa utilizar recursos naturais sem comprometer a existência das gerações futuras e que devemos ser capazes de proporcionar equilíbrio entre produção e consumo, ou ainda segundo Randall, “sustentabilidade é fazer uso dos juros do capital, preservando-o para o futuro”.

Talvez a definição de equilíbrio seja a mais útil quando tratamos sobre a quantidade de chuvas e a capacidade de absorção do solo, porque é neste ponto onde reside o problema, no rompimento do equilíbrio. Atualmente, gastamos todo o capital ambiental e os juros decorrentes, sem nos preocuparmos em reservar capital, muito menos investimentos para as futuras gerações. Devemos, então, pensar primeiramente em estratégias para repor o capital gasto.

Seguindo essa linha de pensamento, surge o conceito de permeabilizacão urbana. Trata-se de uma proposta para recuperação de parte do déficit ambiental gerado por nossa sociedade e para a qual ainda não há uma legislação urbanística específica que contemple a complexidade do problema que enfrentamos.

Vejamos um exemplo típico. Partindo de uma área a urbanizar com 1.000.000m² (100 hectares ou 10×10 quarteirões), o que exige a legislação? Desta área, 20% serão destinados ao sistema viário, 10% às áreas verdes, 5% às áreas institucionais e, em alguns municípios, será exigido um coeficiente máximo de 20% de áreas permeáveis dentro dos lotes. Temos então o seguinte quadro:

Área Total 1.000.000m²

Exigências

200.000m² – sistema viário.

100.000m² – áreas verdes.

700.000m²- áreas ocupáveis – sendo 140.000m2 permeáveis*.

560.000m² – áreas impermeáveis

Resumo das áreas permeáveis e impermeáveis

240.000m² – áreas permeáveis.

760.000m² – áreas impermeáveis.

Em São Paulo, onde chove aproximadamente 2m3/m2 ao ano, teremos neste novo empreendimento 1.520.000m3/ano de água correndo para o sistema de drenagem pluvial, ou o equivalente a 152.000 caminhões pipa para uma área de 10×10 quarteirões. Este é o resultado da legislação atual. O que não está definido por lei é exatamente o que fazer com a água remanescente.

As soluções são muitas, e cabe aos profissionais atuantes – nós, arquitetos urbanistas – assumir a vanguarda para definir soluções que contemplem a retomada do equilíbrio natural, ao mesmo tempo em que proporcionem a amortização do déficit gerado pelas ocupações existentes. Por outro lado, cabe ao poder público definir estratégias e regras que apontem para a responsabilidade de todos agentes envolvidos na construção das cidades, para que assumam seu papel e executem ações efetivas em busca do equilíbrio necessário para resolução do problema.

Para atingir um desenho urbano compatível com a necessidade atual de resgate da qualidade de vida nos grandes centros, é necessário pensar de maneira integrada o espaço individual e o espaço coletivo. São bacias de retenção, sistemas de espaços verdes, arborização (ou reposição da arborização) urbana, uso obrigatório de pavimentos permeáveis, assim como o incremento e a fiscalização dos coeficientes de permeabilidade nas áreas particulares, investimentos em campanhas de conscientização, assistência financeira para construção de sistemas domiciliares.

Esse conjunto de ações integradas poderá nos aproximar de uma solução efetiva, introduzindo o conceito da permeabilidade urbana no planejamento e no desenho urbano, olhando o horizonte da cidade que estamos construindo para não repetir os erros do passado.

sobre o autor
Álvaro Luque
Diretor de criação Terra Urbanismo
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