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Lean Construction e a Construção Enxuta

Postado em Gestão ,     Escrito por Carlos Torres Formoso    em público junho 9, 2015

A busca de novos paradigmas de gestão no processo de produção na construção civil vem levando muitas construtoras a adotarem o lean construction, que incorpora o lean thinking, ou pensamento enxuto, idealizado pela Toyota. A filosofia lean é baseada nas atividades de fluxo e os critérios de valor. A proposta é melhorar o processo removendo as ineficiências, implantando a auto-inspeção e a inspeção sucessiva, a redução do transporte e suas ineficiências, a melhoria do layout e a eliminação dos tempos ociosos de processo, entre outras providências.

O engenheiro civil Carlos Torres Formoso, professor e pesquisador do Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (Norie), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que há vários relatos de empresas do setor que adotaram o lean com bons resultados, tais como o aumento da confiabilidade de prazos, além de melhoria da produtividade e da racionalização nas obras. Leia abaixo a entrevista exclusiva com o professor Formoso, que fala da implementação dos conceitos e ferramentas lean na construção civil.

AEA – Como o lean construction pode melhorar a gestão do dia-a-dia da obra com controle da produção?

Carlos Torres Formoso – A filosofia lean traz duas grandes mudanças na gestão de empreendimentos da construção. Uma delas é o foco na eliminação de atividades que não agregam valor e a consideração sistemática das necessidades dos clientes internos e externos. Quando bem implementada, esta filosofia contribui para a redução de custos e para melhorar a qualidade dos produtos, do ponto de vista do cliente final.

AEA – Há muitas empresas da construção civil trabalhando com lean? Por quê?

Carlos – Sim, há muitas empresas implementando esta filosofia, em diferentes países no mundo. Sempre foi muito forte nos EUA, Grã Bretanha e em alguns países da América Latina, principalmente no Brasil, Peru e Chile. Recentemente têm aparecido muitas adesões em países asiáticos. Em geral as empresas resolvem implantar o lean porque estão enfrentando algum desafio muito grande. Por exemplo, na Califórnia (EUA) existe um grande programa de construção e reformas de hospitais e centros de saúde que, entre outros requisitos, sejam à prova de terremotos, para que continuem funcionando em caso de tragédias acontecerem. A Sutter Health, uma das empresas que administra hospitais, chegou à conclusão que não conseguiria realizar os empreendimentos que necessitava usando métodos tradicionais de gestão. Por isto, passou a exigir de seus contratados a aplicação de várias ferramentas e conceitos lean.

AEA – De que maneira o lean faz com que a produção da obra se dê num ritmo constante? Quais os problemas que podem ocorrem quando a obra é executada num ritmo muito rápido, ou muito lento?

Carlos – O ideal em um sistema lean é que as equipes trabalhem de forma sincronizada, com base em um tempo chamado de takt time, que dita o ritmo. Por exemplo, em uma fábrica da Toyota, nos EUA, o takt time é de 57 segundos, ou seja, todas as atividades na fábrica tem um ciclo menor ou igual a 57 segundos. Na construção civil, este conceito precisa ser adaptado, pois nossos ciclos são bem maiores, em geral, com alguns dias ou semanas, além de haver muita variabilidade. Entretanto, há casos práticos que apontam os benefícios de adaptar estes conceitos nas nossas obras. Se o ritmo é muito rápido, o lean pode contribuir muito no sentido de reduzir os ciclos de produção, principalmente, pela eliminação de atividades que não agregam valor. Poderíamos dizer que quanto mais complexa e rápida a for obra e quanto maior o grau de incerteza envolvido, mais importante a aplicação de alguns conceitos da filosofia lean, tais como o planejamento hierarquizado, trabalho colaborativo, transparência, entre outros requisitos.

AEA – Como deve ser feito o planejamento detalhado no lean a fim de evitar ociosidade da mão de obra?

Carlos – O planejamento deve ser hierarquizado. No lean, planeja-se com um elevado nível de detalhe, porém, mais próximo do momento de execução, quando se tem mais informações e menos incertezas. Esta é a lógica do sistema last planner, que é a ferramenta lean mais implementada nas empresas.

AEA – Qual é a ideia por trás da autonomia das células de produção no canteiro? Isso permite uma integração entre as outras frentes da obra?

Carlos – A autonomia é um requisito importante em obras complexas e com grande grau de incerteza. Mas a sua implementação depende de uma série de mudanças relativamente grandes no setor da construção civil, tais como a qualificação dos trabalhadores, encarregados e engenheiros, além de mudanças nos papéis destes na gestão. Já o conceito de células de produção é a aplicação sistemática de um conjunto de conceitos, tais como multifuncionalidade, redução do tamanho do lote, sincronização e, obviamente, autonomia. É um estágio relativamente avançado na implementação dos conceitos lean. Há muitos poucos casos de implementação desse sistema na construção.

AEA – Como é a aprendizagem da mão de obra em relação a esse sistema de produção? O lean é burocrático?

Carlos – A aprendizagem é um elemento fundamental da filosofia lean. Se tiver características de algo burocrático é porque foi mal implementado.

AEA – Em quanto o lean pode reduzir o tempo de execução da obra? De que maneira evita desperdícios e retrabalhos?

Carlos – Não há números que sejam representativos de uma grande amostra de empreendimentos. Entretanto, há vários relatos individuais de empresas que apontam o aumento da confiabilidade de prazos como um dos principais resultados da implementação de conceitos e ferramentas lean.

AEA – Como o lean pode auxiliar na criação e na manutenção de um canteiro sustentável?

Carlos – O lean contribui de maneira eficaz para a sustentabilidade na construção civil, na medida em que tem como foco a redução de perdas, algumas das quais causam enormes problemas ambientais, como, por exemplo, desperdício de materiais, acidentes, retrabalhos, entre outros.

sobre o autor
Carlos Torres Formoso

*Ph.D., Professor e Pesquisador do Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (Norie), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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