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Museu Aberto Cratera de Colônia

Postado em Design , Postado em Urbanismo ,     em público junho 9, 2015

Em busca do equilíbrio entre questões ambientais, sociais, culturais e econômicas aplicadas no desenho das cidades, o projeto de requalificação urbana Museu Aberto Cratera de Colônia, do escritório Levisky Arquitetos, abrange uma área de 2.4 milhões de m2. Vencedor da categoria Profissionais – Preservação do Meio Ambiente do Prêmio Master Imobiliário 2011, o projeto contempla a implantação de saneamento básico e infraestrutura, criação de espaços públicos de convivência social e lazer, além da previsão de áreas que poderão comportar equipamentos urbanos, como escolas e centros de saúde, voltados ao atendimento da comunidade ao lado da Represa Billings, em Parelheiros, município de São Paulo.

Desenvolvido em 2010, o projeto propõe resgatar a condição de salubridade ambiental das margens da represa Billings, além de proporcionar a reconstituição da fauna e flora local, realocação parcial de moradias de interesse social, regularização fundiária, e, principalmente, a oferta de um Parque-Museu. Esse parque, por meio de percursos interativos, transmite informações, além de gerar oportunidade de pesquisa e reflexão aos usuários, visitantes e turistas sobre as questões ambientais e culturais relativas ao patrimônio histórico e ambiental.

A proposta apresentada pelo projeto urbanístico contempla, ainda, a implantação de equipamentos urbanos, ciclovias, acessibilidade, soluções em drenagem, iluminação e uma cuidadosa reconstituição vegetal, com a criação de quatro parques lineares, praças cívicas, dois portais de acesso e dois mirantes. Todos os espaços têm paisagismo que valoriza a presença da natureza e as visuais do entorno, permitem o pleno reconhecimento da depressão geológica, denominada Cratera de Colônia.

Segundo Adriana Levisky, arquiteta e urbanista, titular do escritório Levisky Arquitetos Associados, trata-se de um modelo de requalificação urbana, que associa as demandas de implementação de infraestrutura à legalidade da moradia e, sobretudo, à qualidade de vida, do ponto de vista das cidades, do lazer, da cultura, do conhecimento, da preservação do patrimônio ambiental e cultural.

A área total do Museu Aberto Cratera de Colônia, incluindo as habitações, é, aproximadamente, 55% maior do que o Parque do Ibirapuera, e representa uma oportunidade para a implantação de um novo parque em escala metropolitana na cidade. A idéia de criação do Museu Aberto Cratera de Colônia surgiu a partir da necessidade de suprir demandas básicas dos moradores da área, e explorar o potencial para turismo ecológico, desenvolvimento de ações culturais e de preservação ambiental na região. A Cratera é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (CONDEPHAAT).

Regularização fundiária

“O trabalho começou por uma demanda muito curiosa, porque não estava vinculada inicialmente nem ao universo ambiental nem ao cultural. Há o loteamento irregular com 35 mil pessoas, então, a necessidade era resolver a questão da regularização fundiária. E como associar as necessidades habitacionais às questões ambientais e ecológicas, somadas a essa realidade histórica do patrimônio tombado? Então a busca de um conceito inicial para achar uma solução foi tirar o máximo do que o próprio território tem como potencial nessas áreas todas”, lembra Adriana.

Sob o ponto de vista urbanístico, o projeto inclui uma criteriosa organização do sistema viário com o objetivo de valorizar a circulação dos pedestres e direcionar o eixo de movimento dos veículos para proporcionar segurança e conforto durante deslocamentos. Ruas serão abertas e outras alargadas em um desenho que irá privilegiar o uso de calçadas, ciclovias e ciclofaixas. “Tratamos os passeios de modo que haja acessibilidade e moderação de tráfico dos automóveis. Arborização e iluminação pública foram estrategicamente locadas para dar espaço ao pedestre, em caminhadas seguras e agradáveis”, detalha Adriana.

Distante 35 quilômetros do centro da cidade de São Paulo, a Cratera de Colônia também precisará de infraestrutura de transportes, e as possíveis soluções começaram a surgir durante os estudos. “Há estradas de ferro abandonadas que poderiam fazer conexões com o sistema público de transporte”. Uma estação de trem turística e uma ciclovia completam o projeto. O projeto prevê, ainda, uma cuidadosa reconstituição vegetal com a criação de quatro parques, duas praças, dois portais de acesso e um mirante, todos espaços com paisagismo que valoriza a presença da natureza e as visuais do entorno.

Aproximadamente 359 mil metros quadrados de área verde serão acrescentados à região. Projeto de 2010, atualmente o Museu Aberto Cratera de Colônia já está em sua primeira fase de execução. A segunda etapa está com edital em andamento e a expectativa é a de que a implantação do projeto esteja concluída em março de 2014.

Valorização do mercado imobiliário

Empreendimentos urbanos de requalificação dos espaços públicos, tais como o Museu Aberto Cratera de Colônia, já representam um forte instrumento para potencializar negócios imobiliários e promover mudanças de paradigmas nas estratégias ao valorizar a integração do patrimônio público com o privado. “Investir na força atrativa da região e, assim, encontrar valor e oportunidade no espaço público é visualizar o retorno que isso pode trazer para as empresas construtoras e incorporadoras. O empreendimento não é do tamanho do lote. É maior que o lote. E a conta a ser feita não é a de que o lucro será menor porque uma área maior que o lote está sendo beneficiada”, conclui Adriana Levisky.

História

A Cratera de Colônia é uma Área de Proteção Ambiental (APA Capivari‐Monos). Surgiu há cerca de 20 milhões de anos, a partir do impacto de um meteoro que, estima‐se, possuía algo em torno dos 200 metros de diâmetro. Há apenas 70 estruturas semelhantes no mundo. Das cinco localizadas no Brasil, a formação de Parelheiros é a mais próxima de um centro urbano. Daí a preocupação em transformá‐la em algo atrativo para turistas.

“Pela dimensão e pelo potencial que o local tem, já representa em si um parque em escala metropolitana”, acredita Adriana Levisky. No projeto, alguns detalhes favorecem a visitação do Museu Aberto. O passeio de pedestres está próximo do córrego e das áreas de lazer. Também há previsão de displays dispostos com informações sobre boas práticas ambientais que mostram como funciona o processo de reciclagem do lixo e outros materiais, a diferença entre fossa e esgoto tratado, o que é um mangue, o que é mata ciliar, uma represa, entre outros conceitos. “Todos os dados são voltados não, somente, para a população local, mas para turistas também”, afirma a arquiteta.