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Previsão de Crescimento Histórico no Setor Hoteleiro

Postado em Design , Postado em Urbanismo ,     Escrito por Eng. Civil Caio Sergio Calfat Jacob    em público junho 9, 2015

Copa de 2014, O setor hoteleiro no Brasil deve registrar evolução inédita nos próximos anos. A previsão é que haja um crescimento ininterrupto pelo menos até 2021, beneficiando inúmeras áreas envolvidas: construção civil, infraestrutura, treinamento de mão de obra, consultorias especializadas e serviços em geral, de acordo com o engenheiro Caio Calfat, diretor da Caio Calfat Real Estate Consulting, consultoria especializada na área.

O otimismo, segundo ele, se deve não só à Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas também ao aumento da demanda interna, estimulada pelo aquecimento da economia. No entanto, há entraves para a construção de novos hotéis, como a falta de mão de obra e a burocracia para a liberação de recursos.

AEA – Quais os principais problemas do setor hoteleiro no Brasil, atualmente?

Caio Sergio Calfat Jacob – O setor ainda é considerado amador. A começar pela falta de estatísticas. Estimamos que Brasil tenha aproximadamente 9.500 hotéis. O Guia 4 Rodas considera que são 7.500, mas é importante lembrar que o guia se concentra nas cidades turísticas somente. Mesmo assim, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), que não dispões de estatísticas próprias, já chegou a adotar os dados do Guia 4 Rodas como oficiais. Por outro lado, há quem considere um total de 18.000 hotéis, por incluir até mesmo pensões e hotéis muito simples, muitos deles funcionando na informalidade.

AEA – Considerando os 9.500 hotéis, quantos seriamindependentes e quantos pertencentes a redes?

Calfat – Estima-se que 10% façam parte das redes. Os outros 90% são empreendimentos familiares, muitas vezes carentes de investimentos e de profissionalização. Com o aumento da demanda e a necessidade de expansão rápida, dentro de cinco ou seis anos as redes devem ganhar mais espaço e passar a representar 20% do total de hotéis, chegando a 30% dentro de 10 anos. A explicação é simples: com melhor estrutura, mais recursos e melhores condições para detectar as demandas, as redes conseguem investir mais rapidamente para ocupar essas lacunas.

AEA – Como o Sr. acredita que devem ser exploradas essas oportunidades?

Calfat – Há oportunidades tanto para as redes que estão chegando agora ao Brasil, como para as que estão estabelecidas há décadas, caso do Hilton, presente no país há mais de 40 anos. Depois de ter fechado um tradicional hotel na região central de São Paulo para se dedicar a uma unidade mais moderna na zona Sul da cidade, a rede agora está trazendo outras três bandeiras de três e quatro estrelas tradicionais nos Estados Unidos.

AEA – Como ficam as redes nacionais nesse cenário?

Calfat – As empresas nacionais mais expressivas do setor também se preparam para expandir. Entre os exemplos estão as duas gigantes genuinamente brasileiras, Blue Tree e Allia Hotels. Essa última, criada a partir da união entre a mineira Bristol Hotels, a paulista Plaza Inn e o maranhense Grupo Solare, deve expandir usando as bandeiras que deram origem ao novo empreendimento. Há ainda os casos das redes brasileiras responsáveis por bandeiras nacionais e estrangeiras como Brazil Hospitality Group (BHG), controlada pelo GP Investiments, que representa a bandeira internacional Golden Tulip na América Latina e que no ano passado adquiriu o Hotel Intercontinental do Rio de Janeiro. Outro exemplo é o Atlantica Hotels, com suas marcas Clarion, Comfort e Quality, todas presentes na cidade de São Paulo.

AEA – Ou seja, agora o setor deve, de fato, se profissionalizar?

Calfat – As redes devem crescer não somente nas capitais, mas também nas cidades com grande potencial econômico e, portanto, com demanda para novos hotéis. Com isso, devem desaparecer os hotéis pequenos e caros dessas regiões, onde normalmente os donos não dispõem de recursos para investimentos, que, aliás, devem ser constantes. Um hotel precisa o tempo todo de reformas e de atualizações tecnológicas para se adequar às necessidades dos hóspedes.

AEA – Com todo o crescimento no setor, como fica o papel dos arquitetos e engenheiros?

Calfat – Mais do que nunca, é fundamental que esses profissionais se preparem tecnicamente. Em outros tempos, era aceitável que os arquitetos projetassem hotéis como se fossem casas, orientando-se apenas pelos desejos do proprietário, mas sem um estudo técnico de viabilidade. Agora, eles precisam tomar como base informações que lhes permitam definir que tipo de bandeira e padrão de hotel cabe na região, qual a quantidade e o tamanho dos quartos, que tipo de serviço deve ser oferecido etc.

AEA – Como deve ser calculado o número de hotéis ou de leitos de uma região que receberá os jogos da Copa, por exemplo?

Calfat – De acordo com os cálculos da Fifa, o número de quartos de hotéis de uma cidade deve ser 1/3 em relação à quantidade de lugares do estádio onde ocorrerão os jogos. Ou seja, se a cidade tem um estádio com 60 mil lugares, por exemplo, deve dispor de, no mínimo, 20 mil leitos em hotéis. No entanto, esse cálculo não pode ser seguido rigorosamente em todas as cidades. Deve-se avaliar o potencial de ocupação depois que encerrarem os jogos.

AEA – Em linhas gerais, como está a estrutura hoteleira das cidades que receberão os jogos em 2014?

Calfat – São Paulo é a única cidade pronta para receber turistas durante os jogos — mesmo assim, ganhará novas unidades. O Rio de Janeiro tem quantidade de hospedagem, mas ainda não tem qualidade suficiente e, por isso, requer investimentos para melhoria. Já Belo Horizonte não tem nem quantidade nem qualidade no que diz respeito à hotelaria.

AEA – É possível calcular o número total de novos hotéis que o País demanda?

Calfat – Calculo que cabem aproximadamente 300 novos hotéis econômicos e supereconômicos em cidades menores, outros 15 a 20 de luxo e pelo menos 50 de padrão intermediário nas grandes cidades.

AEA – Onde estão os gargalos para que essa demanda toda seja suprida rapidamente?

Calfat – A falta de mão de obra disponível é um deles. Mas o principal gargalo está no financiamento. A conhecida burocracia para liberação dos empréstimos pelo BNDES é um dos entraves para que os novos hotéis saiam do papel. O banco exige garantias altas e as carências para pagamento são rígidas. Para contornar o problema, o Secovi-SP, por meio do Núcleo Imobiliário-Turístico e Hoteleiro, criou comissões para discutir o assunto e exigir dos agentes envolvidos eficiência, rapidez e desburocratização.O núcleo conta com representantes das principais redes presentes no país, além de consultorias imobiliárias e hoteleiras, dentre as quais está a nossa empresa, a Caio Calfat.

AEA – Existem outras alternativas para atender às demandas, caso essas discussões não tragam os resultados desejados em tempo?

Calfat – Uma das soluções para o problema pode ser semelhante ao que ocorreu há 20 anos, quando houve a explosão da quantidade de flats no país. Isso porque as construtoras não dependem de financiamento para construir esses empreendimentos. O lado ruim é que o pequeno investidor acaba pagando muito caro pelo flat, tem despesas com marketing e não consegue obter o mesmo retorno financeiro que teria se investisse em um hotel.

AEA – E os hotéis de lazer? Não chegam a ser alternativa para atender à demanda por hospedagem?

Calfat – Os hotéis de lazer estão retomando aos poucos o crescimento, mas o Brasil recebe muito poucos turistas para que haja investimentos significativos no segmento. As dificuldades estão na malha aérea e em outros serviços de infraestrutura, além do câmbio. Quando o Dólar e o Euro estavam mais valorizados em relação ao Real, recebíamos muito mais turistas estrangeiros. Com as crises internacionais dos últimos anos, isso mudou. Muitos projetos para investimentos em hotéis de turismo foram engavetados.

AEA – Com todo o crescimento no setor, como fica o papel dos arquitetos e engenheiros?

Calfat – Mais do que nunca é fundamental que esses profissionais se preparem tecnicamente. Em outros tempos, era aceitável que os arquitetos projetassem hotéis como se fossem casas, orientando-se apenas pelos desejos do proprietário, mas sem um estudo técnico de viabilidade. Agora, eles precisam tomar como base informações que lhes permitam definir que tipo de bandeira e padrão de hotel cabe na região, qual a quantidade e o tamanho dos quartos, que tipo de serviço deve ser oferecido etc.

AEA – Como deve ser calculado o número de hotéis ou de leitos de uma região que receberá os jogos da Copa, por exemplo?

Calfat – De acordo com os cálculos da Fifa, o número de quartos de hotéis de uma cidade deve ser 1/3 em relação à quantidade de lugares do estádio onde ocorrerão os jogos. Ou seja, se a cidade tem um estádio com 60 mil lugares, por exemplo, deve dispor de, no mínimo, 20 mil leitos em hotéis. No entanto, esse cálculo não pode ser seguido rigorosamente em todas as cidades. Deve-se avaliar o potencial de ocupação depois que encerrarem os jogos.

AEA – Em linhas gerais, como está a estrutura hoteleira das cidades que receberão os jogos em 2014?

Calfat – São Paulo é a única cidade pronta para receber turistas durante os jogos — mesmo assim, ganhará novas unidades. O Rio de Janeiro tem quantidade de hospedagem, mas ainda não tem qualidade suficiente e, por isso, requer investimentos para melhoria. Já Belo Horizonte não tem nem quantidade nem qualidade no que diz respeito à hotelaria.

sobre o autor
Eng. Civil Caio Sergio Calfat Jacob

Eng. Civil, Consultor imobiliário e hoteleiro. Sócio-diretor da Caio Calfat Real Estate Consulting (www.caiocalfat.com). Conselheiro e ex-presidente da LARES - Latin American Real Estate Society (www.lares.org.br). Coord. do Núcleo de Empreend. Hoteleiros e Imobiliário-Turísticos do Secovi-SP (www.secovisp.com.br). Prof. de Análise de Empreend. Hoteleiros do MBA Real Estate FUPAM e da pós-graduação em Gerenciamento de Empreend. na Construção Civil do Mackenzie. Coord. e Prof. do curso de Planej. e Desenv. de Empreend. Hoteleiros promovido pela AEA Cursos (www.aeacursos.com.br).