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Simpósio do CBCS discute ações e ideias para a Construção Sustentável

Postado em Sustentabilidade ,     em público junho 9, 2015

Durante o 4º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado em agosto na cidade de São Paulo, que reuniu mais de 500 pessoas durante dois dias, inúmeros temas relativos ao meio ambiente foram abordados.

Em um dos painéis, mediado pelo professor de materiais e componentes de Construção Civil da Escola Politécnica, o pró-reitor Vahan Agopyan, o simpósio lançou o tema da inovação no contexto da sustentabilidade. Vanderley John, professor da Escola Politécnica da USP e coordenador do comitê técnico de Materiais do CBCS, abordou novas aplicações de materiais. Apresentou casos como o do concreto fotocatalítico, tecnologia que combate a poluição do ar, por meio de captura e degradação de poluentes atmosféricos. Também falou sobre as fachadas com painéis fotovoltaicos que geram a energia consumida pelo edifício.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Sergio Angulo, discutiu as dificuldades das empresas e dos fabricantes de materiais no atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos. E apontou alguns caminhos como a reciclagem de baixo custo no próprio canteiro e o uso do RCD (resíduos de construção e demolição) em aplicações como pavimentação. Para Angulo, ainda existem alguns empecilhos que o debate e a regulamentação precisam encaminhar, como a madeira com biocida, o gesso misturado com concreto e argamassa pigmentada.

A qualidade de vida no espaço urbano também foi discutida em painel moderado por Alex Abiko, professor do departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da USP e coordenador do Comitê Técnico Urbano do CBCS. Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, falou sobre o impacto da poluição atmosférica na saúde e na qualidade de vida da população. Para ele, a ocupação irregular do solo gera vários problemas como lixo, enchentes e poluição. Citou as medidas que melhoram a qualidade do ar em escala local e ponderou as políticas de mitigação das fontes de gases poluentes, a maioria advindas de veículos movidos a combustível fóssil. “A política ambiental precisa deixar de ser permissiva nas cidades”, concluiu.

Presente no evento, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lembrou que é preciso colocar na mesa um projeto de desenvolvimento de economia sustentável para a construção civil. “Nesse processo de engajamento, o meio ambiente não deve ser uma restrição, como foi no passado. A economia verde precisa levar em conta a erradicação da pobreza, os limites do planeta, o risco e a vulnerabilidade de um crescimento populacional que deve atingir 9 bilhões de habitantes até 2050”.

Entre os palestrantes internacionais estava Robert Hutchinson, diretor executivo de pesquisa e consultor da Rocky Mountain Institute (RMI), organização voltada para soluções com tecnologias limpas para as áreas de energia, construção civil e transportes. Hutchinson fez participantes refletirem sobre economia verde. “Investimento em eficiência energética faz parte da economia verde”, declarou. E mostrou como os projetos americanos de retrofit que envolvem os agentes com bônus e metas com altos graus de exigência. “Mas o principal é que haja comunicação e compreensão por parte de todos os envolvidos, inclusive os futuros usuários sobre as medidas de redução de consumo de energia implantadas nas edificações.”

O painel sobre integração entre projetos de grande escala e o espaço urbano, moderado pelo professor Roberto Lamberts, supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentou outra série de palestras. Aberta com o professor da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan, Cheng-Li Cheng, mostrou como os taiwaneses lidam com os riscos impostos pelos ciclos climáticos da ilha de Taiwan. “Todo o gerenciamento de reuso, reciclagem e contenção da água segue o princípio de retorno à natureza, que orienta os projetos de reformulação urbana da cidade de Taipei. Precisamos ter uma atitude mais humilde”, disse Cheng. Cheng mostrou ainda que os desastres climáticos ocorrem por culpa do crescimento desordenado, provocando deslizamento de encostas, rompimento de barragens e inundações.

Para o professor da Universidade de Columbia, de Nova York, Trent Lethco, urbanista associado ao Arup, existem soluções para São Paulo. Lembrou que muitos dos atuais problemas já foram enfrentados por metrópoles americanas, como o caso de Manhattan, em Nova York, citando que os pocket parks e outras reformulações criam pontos de interesse capazes de agregar significado às comunidades. Para melhorar a mobilidade no centro urbano destacou as redes de caminhos para pedestres, ciclovias e recuperação de locais abrem espaços de ocupação urbana sem emissão de CO2. Além da gestão de calçadas, gerenciamento de caminhões de entrega de cargas, faixas exclusivas para carros com mais de um ocupante e patrulhas de remoção de acidentes.

O professor de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, Tadeu Fabrício Malheiros, mostrou como calcular os indicadores que relacionam as atividades humanas e o consumo de recursos naturais. A professora da London School of Economics and Political Science e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Nancy das Graças Cardia, abordou a gestão da segurança nas metrópoles e como o desenho das ruas, rotas de escape e trânsito com velocidade mais baixa contribuem para a segurança. No encerramento do dia, foi lançado o livro Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil, da editora Blucher. De autoria dos professores Vahan Agopyan e Vanderley John, ambos da Escola Politécnica da USP e destacadas lideranças setoriais, a publicação apresenta uma visão inovadora, ao discutir o desenvolvimento sustentável na construção civil sob o ponto de vista da cadeia produtiva.