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Todos nós queremos voltar pro escritório!

Postado em Facilities ,     Escrito por Profa. Dra. Claudia Andrade    em público junho 29, 2020

voltar pro escritório

Esse lugar onde interagimos cada vez mais, encontramos as pessoas, trocamos ideias, criamos coletivamente, tomamos aquele cafezinho, nos encontramos de forma espontânea no corredor, trocamos experiências, afetos, projetos e reforçamos os nossos vínculos.

No escritório, vemos os colegas indo e chegando de férias, vemos as futuras mamães transformando-se ao longo dos meses, marcamos encontros na hora do almoço, o happy hour da sexta, confraternizamos a cada sucesso, cada cliente alcançado, cada momento marcante. Além disso experienciamos a cultura da empresa, seus valores e sua essência.

Todos nós queremos ir ao bar da esquina, aquele na frente do escritório na sexta feira para jogar conversa fora, comemorar a semana, fazer o “esquenta”, celebrar com amigos e colegas a semana e os desafios vencidos. Às vezes, até, nos despedir dos colegas que partem para viverem novas oportunidades.

No escritório nossos vínculos sociais são aguçados e construímos, a partir daí, a nossa história, a nossa memória. Sentimos falta de receber os fornecedores, ver as novidades, pegar nos materiais, sentir sua textura. Sentimos falta da reunião in loco com nosso cliente, estar frente a frente pra ver e sentir o resultado do nosso trabalho. Estarão eles satisfeitos? Estamos nós atendendo às suas demandas? Somos seres humanos e quantas vezes nos realizamos a partir desses resultados. Quantas vezes criamos relações de amizade ou cumplicidade com nossos clientes, afinal, estamos todos no mesmo barco unidos por um bem comum: fazer o nosso melhor!

Ah, como não querer voltar pro escritório quando estamos nos sentindo tão sós, sem ter com quem interagir, sem ter o livre arbítrio para escolher estar juntos ou não, sem ter a possibilidade de ter uma reunião olho no olho, sem a mínima possibilidade do encontro inesperado no corredor que nos fornece aquele insight para deslancharmos num processo que estava empacado.

Ah, que vontade de voltar quando nossa relação pessoal com quem estamos passando por isso encontra-se meio esquisita, afinal estamos todos a flor da pele. Como seria bom dar um tempo, estar com outras pessoas para refletir, relaxar e aproveitar de fato a beleza de conviver.

Puxa, estar com a família é o máximo, ver seu filho dar os primeiros passos, ensinar as primeiras letras, contar histórias, brincar e estar juntos. Não tem preço mas, sem dúvida, por outro lado gera uma tensão, uma dificuldade de se concentrar quando necessário, ter o foco para o trabalho. Ah se fosse possível conjugar as duas coisas, estar em casa e aproveitar de vez em quando e poder usufruir do convívio social no escritório. Unir os melhores do mundo.

Há anos vivemos dessa forma, trabalhamos de segunda a sexta dessa maneira, acordamos cedo, pegamos um meio de transporte, seja carro, bike ou transporte público, chegamos no escritório e interagimos o dia inteiro, mesmo quando não devíamos, pois nossos ambientes abertos, densos, dificilmente nos permitem concentrar-se, focar, ter privacidade, talvez que nem agora com a família inteira reunida, trabalhando de casa. Mas, eis que de uma hora pra outra fomos lançados ao trabalho virtual, sem aviso prévio, sem treinamento, sem sequer saber se isso seria possível. Naquele momento, realizamos que era necessário, mais do que nunca, preservarmos a nossa integridade física e a nossa saúde. Fizemos no tranco e deu certo.

Já estamos indo para o terceiro mês nessa jornada e já passamos por vários estágios emocionais: de início o alívio de podermos ficar em casa e nos proteger: no segundo, a satisfação de termos conseguido dar conta do recado e estarmos produtivos, entregando com qualidade o fruto do nosso trabalho; agora chega, queremos a nossa vida de volta.

Mas a situação ainda não está dominada, o vírus continua aí, os hospitais ainda cheios de doentes e a vida ainda em risco. Estamos numa sinuca de bico como costumamos dizer. Sabemos que é preciso tentar retomar a economia, fazê-la girar para minimizar, de um lado, o estrago que já está feito com milhares de empregos evaporados e pessoas sem atividades. Além disso, nosso equilíbrio emocional começa a dar sinais sérios de desgaste. E para isso , é preciso enfrentar o perigo e tentar retomar.

Nós queremos voltar pro escritório para sentir o calor humano, a energia pulsar, a liberdade do ir e vir. Nem tanto pelo trabalho em si, mas pelo que o ambiente de trabalho representa. Tudo o que nos encanta na volta é a perspectiva de encontrar as pessoas, de estar com elas, de abraçá-las, de nos conectarmos na nossa dimensão mais humana: o toque!

No entanto, não dá pra se iludir, só conseguiremos de fato isso no pós pandemia. Até lá, não poderemos abraçar, a interação será a distância, nos alimentarmos será complexo, o ir e vir será cheio de regras e exigirá uma atenção redobrada. Máscara, álcool gel, distanciamento social mínimo de 1,5 m. Usou o banheiro, tem que higienizar; tomou um café, tem que higienizar; tocou em algo que não sabe a procedência, tem que higienizar; o tempo inteiro seremos monitorados, para a nossa segurança, para a nossa proteção. Será que estamos preparados emocionalmente pra isso? Será que vale a pena enfrentarmos um risco para trabalharmos assim?

O preço dessa volta, só o tempo dirá!


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Estamos passando por um momento inusitado da vida da humanidade que, ao mesmo tempo que nos impõem restrições e limites na nossa liberdade de ir e vir, nos propõem reflexões profundas sobre todos os aspectos inerentes a nossa vida. Entre elas está o trabalho.

O Home Office, imposto pelas organizações como uma forma de proteger a nossa integridade física e de nossa família, reforçou uma situação que já era fato e que muitas empresas ainda resistiam em admitir: somos hoje profissionais de base intelectual que podemos trabalhar com mobilidade, pois temos tecnologia para isso. Diante disso, o escritório tal qual visto antes, precisará sofrer ajustes significativos para atender essa nova realidade, seja na fase de distanciamento social, seja no pós imunização da sociedade.

O curso Como Projetar o Ambiente de Trabalho na Era Coronavírus, portanto, visa capacitar os profissionais envolvidos nesta área para, a partir do entendimento do que poderá e deverá mudar, desenvolver um projeto que irá garantir a segurança e saúde das pessoas no trabalho, além de gerar bem-estar produtivo.

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sobre o autor
Profa. Dra. Claudia Andrade

Formada em Arquitetura e Urbanismo e com doutorado pela Universidade de São Paulo (2005). Atualmente possui empresa de consultoria especilizada em novas estrategias de ambiente de trabalho e, também, em workplace change management sendo certificada como Expert Professional pelo HuCMI - Human Change Management Institute. É professora convidada no MBA em gestão de facilities na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, desde 2002 e professora nas Belas Artes de São Paulo. Autora dos livros “O escritório do século XXI” e “A história do ambiente de trabalho em edifícios comerciais - Um século de transformações”, publicado pela edição C4. É coautora dos livros “Assessing the performance of the building” e “Facilities Change Management”, publicados na Inglaterra. No momento atual tem se dedicado em auxiliar as empresas no processo de volta dos seus colaboradores ao escritório pós isolamento social e participado de lives e webinars falando sobre o assunto.