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Umidade em edificações – Nem tudo é problema de impermeabilização

Postado em Arquitetura , Postado em Construção ,     Escrito por Prof. Me. Marcus Vinicius Fernandes Grossi    em público outubro 9, 2020


Como proceder quando da identificação de umidade em seu imóvel.

Um dos problemas mais incidentes em edificações habitacionais e comerciais é a umidade. Isso se deve ao fato dela ser proveniente de diversas causas e, também, por ser necessário ter um sistema com desempenho 100% conforme – se tiver 99%, a água encontrará caminho nesse 1% irregular.

Uma ideia equivocada que permeia a mente dos leigos e de alguns profissionais da área é a de que se evita umidade nas edificações apenas com sistemas de impermeabilização. Essa é uma ideia limitada que pode trazer graves consequências na hora de reparar algum problema de umidade, tais como retrabalho, gastos desnecessários, demolições indébitas etc.

Analisando a Tabela 1 podemos identificar quais são as origens prováveis da umidade, e pela vivência prática percebe-se que fenômenos de higrospiscidade, condensação e falhas de uso, operação e manutenção, são pouco conhecidos até por profissionais atuantes na área.

Tabela 1: Origem da umidade em edificações. Fonte: GROSSI, 2018 adaptado de HENRIQUES, 1994.

Outra prática comum nessa área, bastante equivocada, é de apenas tratar o sintoma e não a causa. Por exemplo, a Figura 1 ilustra um caso de descascamento da pintura devido a umidade ascendente provinda do jardim. Em muitas situações já presenciei casos como esse serem reparados com a retirada da pintura solta, a aplicação de algumas demãos de argamassa polimérica (impermeabilizante) e refeita a repintura do local. Essa ação apenas cria uma barreira externa que não impede a ascensão de água pelo revestimento ou alvenaria, conforme Figura 2, o que permitirá que o descascamento volte a ocorrer após algum tempo.

Figura 1: Vista de descascamento de pintura devido a umidade ascendente. Fonte: GROSSI, 2018.

Figura 2: Esquema de umidade ascendente. Fonte: THOMAZ, 2016.

Portanto, antes de realizar o reparo de qualquer manifestação patológica, deve-se realizar uma investigação da causa e tratá-la, em vez de apenas tratar seus sintomas. Para isso, recomenda-se a contratação de engenheiros civis com especialidade em patologia, perícia, engenharia diagnóstica, tecnologia de construção ou correlatos. Evite, também, postergar o reparo, porque provavelmente serão mais onerosos e mais complicados de resolver.

Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5674: Manutenção de Edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção. Rio de Janeiro, 2012. HENRIQUES, Fernando M. A.. Humidade em paredes. 4. ed. Lisboa: Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 1994. THOMAZ, Ercio. Aula de Umidade. Curso de Patologia das Construções. Mestrado IPT, 2016.


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sobre o autor
Prof. Me. Marcus Vinicius Fernandes Grossi
Engenheiro Civil, é doutorando em tecnologia da construção pela USP; mestre em Tecnologia da Construção de Habitações pelo IPT; especialista em Excelência Construtiva e Anomalias pelo Mackenzie; em Gestão e Tecnologia da Construção pela POLI-USP; Inspetor de Estruturas de Concreto pelo IBRACON, ABECE e ALCONPAT. Atua como Perito Judicial, Assistente Técnico da Defensoria Pública e Ministério Público do Estado de São Paulo; professor universitário; palestrante de cursos de perícia e patologia das construções. É sócio-gerente da Fernandes & Grossi Consultoria e Perícias de Engenharia, onde atua com consultoria, perícias de engenharia, inspeção predial, entrega de obras, auditoria de projetos, normatização técnica, desempenho e qualidade das construções. Atualmente é membro da Divisão Técnica de Patologia das Construções do Instituto de Engenharia e associado da ALCONPAT - Associação Brasileira de Patologia das Construções.